Borboleta no aquário? E agora RH?

E, um belo dia você, sentado em sua mesa de trabalho com seu teclado já com tintas gastas, talvez esperando a chegada do T.I para uma reinicialização “especial” no seu computador, porque é sempre assim, cá entre nós, viramos o bendito PC do avesso e ele não funciona o T.I chega e como por mágica tchan!!! Com uma reinicialização tudo funciona.


Nesse meio tempo você olha em volta e bate aquele desejo incontido de largar tudo e sair disparado como um cavalo solto sem cela e nunca mais voltar. Olha pela divisória, e vê seu chefe com o café em mãos em pé olhando pela janela e pensa:

É agora, vou lá e dizer que preciso sair desse mundo, que preciso respirar além dessas paredes e que não é só o computador que trava com certa frequência, sou eu quem está travado, amarrado e eu preciso dizer que preciso me reiniciar também.


Você levanta e caminha até a tão temida sala com a convicção de tudo que precisa dizer para aliviar esse hardware tão cansado.
No meio do caminho encontra a colega da xerox que sempre lembra de te perguntar se quer água, e como por milagre ao colocar mão na porta para a primeira batida o T.I berra:

Funcionou, era o pente de memória. Nada a se preocupar. Agora vai!!!
E você desiste e volta para sua cadeira onde vê a sua blusa xadrez que usa há pelo menos 3 anos todas as vezes que esfria e pensa:

Está tudo bem, é apenas a minha memória que anda cansada, uma boa noite de sono e estarei reinicializado, tenho amigos aqui, a recolocação é complexa no mercado atualmente e eu tenho contas a saldar.
Mais um dia se passa e você pensa em como seria um dia livre no meio da semana.


A desmotivação é notória e seus colegas começam a notar a sua irritação, sua maneira de andar passa a ser menos esguia como era quando chegou na empresa há algum tempo atrás, suas respostas passaram a ser curtas, a desconcentração passa a ser frequente assim como a visão de que seu chefe não passa de um péssimo líder e o seu salário já está defasado e mal dá para pagar as suas contas.


Diante tantas adversidades e brigas mentais você levanta da sua boa e velha cadeira pega a sua blusa xadrez e vai embora sem dar satisfações, sem bater o ponto, sem avisar ninguém, simplesmente vai ter uma tarde livre com celular desligado e mente plena.
No outro dia, assim que chega o RH te encaminha a sala do tão temido chefe.


Você sempre foi exemplar e ele com um riso irônico te tece qualidades e os prejuízos da sua ausência com os clientes na tarde anterior. Você agradece os elogios, se desculpa, mas com toda a convicção deixa claro a sua insatisfação embora por respeito, também teça elogios a empresa e aos benefícios oferecidos.

A conversa é franca, porém rápida e você mesmo com toda a vontade de se demitir (ou de preferência que a empresa te demita, afinal o fundo de garantia iria te ajudar a quitar seu AP ou a reformar a sua cozinha), resolve aceitar o aumento de salário de 25% oferecido pela empresa. Uau!!! Você é bom mesmo!!!


Sai da sala com a sensação de leveza e mais que depressa pega sua velha calculadora e nota que 25% te aliviará.
O problema é que nem sempre reter talentos com oferta de valores é válido. É como segurar borboleta num aquário. Dura pouco tempo. Todo fica sufocante e em breve o aumento de salário não será o bastante porque o “pente de memória” do colaborador já está na hora de trocar. Os amigos, como a moça da xerox, também não serão mais tão legais e a borboleta precisa voar.


E você é um líder que prende seus bons colaboradores com aumento de salário ou usa outra estratégia?
E você colaborador está sentindo que é uma borboleta no aquário?

Por Silvana Borba, especialista em gestão de pessoas exclusivo para o Informativo Taboão

1 Comentário
  1. Luis Gustavo 4 meses Atrás
    Resposta

    Mais um belo texto, parabéns ao informativo e a colunista!

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