Vereadores aliados aprovam licença a Ney; prefeito fugiu para Paraguai, noticia site

Por RÔMULO FERREIRA, Reportagem do VERBO ONLINE, em Embu das Artes e GABRIEL BINHO, Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

O prefeito Ney Santos (PRB) fugiu do Brasil na sexta-feira (2) em uma aeronave clandestina em direção ao Paraguai, informa o site Band.com, hospedado no portal UOL. Na manhã desta terça-feira (6), em sessão extraordinária convocada às pressas pelo presidente Hugo Prado (PSB), aliado entusiasta de Ney, a Câmara aprovou um pedido de licença do cargo ao prefeito por “tempo indeterminado”, com voto dos 11 vereadores apoiadores do político na Casa.

Votaram a favor da licença a Ney os vereadores Carlinhos do Embu (PSC), Bobilel Castilho (PSC), Índio Silva (PRB), Daniboy (DEM), Joãozinho da Farmácia (PR), Gerson Olegário, Jefferson do Caminhão (PSDB), Júlio Campanha (PRB), Doda Pinheiro (sem partido, ex-PT), Ricardo Almeida (PRB) e Gilson Oliveira (PMDB). Votaram contra os vereadores Rosângela Santos (PT), André Maestri (PTB), Edvânio Mendes (PT) e Dra. Bete (PTB), que são oposição ao governo.

Vereadores governistas votaram a favor da licença ao prefeito sob a justificativa de que o pedido está previsto na Lei Orgânica do Município (LOM) e de que Ney foi “transparente”. Parlamentares da oposição classificaram o afastamento por tempo indeterminado como “manobra” para que Ney possa “fugir” em caso de ter o habeas corpus derrubado pela Justiça em Brasília e volte a ter a prisão decretada e como demonstração de “descaso” com a população da cidade.

Ney pediu licença sob alegação de “interesse particular”. Em nota do governo, ele admitiu deixar o cargo “para cuidar de perto do processo”. Ney está à frente da prefeitura por força de uma liminar concedida em fevereiro do ano passado pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal. Ele é alvo de mandado de prisão por associação a facção criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas, denunciado pelo Ministério Público de São Paulo.

Nesta terça-feira (6), a liminar será julgada pela Primeira Turma do STF, composta por cinco membros (Alexandre de Morais, Marco Aurélio, Luiz Fux, Rosa Weber e Luiz Barroso) – a mesma que julgou o goleiro Bruno, solto por liminar de Marco Aurélio e reconduzido pelo colegiado à prisão. Se for derrubada, Ney pode ser preso a qualquer momento. O prefeito foi beneficiado pela decisão da Câmara Municipal, já que não perderá o mandato por abandono do cargo.

Ney solicitou protelação do julgamento da liminar, mas o pedido foi negado, o que deixou o corpo jurídico do prefeito apreensivo. A decisão de Ney de solicitar à Câmara pedido de licença, por sua vez, chamou a atenção na prefeitura. “Agora entendi porque o pessoal está tão preocupado. Você sente que tem uma certa agitação. O dr. Joel [Matos, advogado de Ney] raramento é visto por aqui, mas na semana passada estava quase todos os dias”, disse um servidor.

O pedido de licença por “tempo indeterminado” é visto como manobra para que Ney possa voltar ao cargo no caso de reverter a possível derrubada do habeas corpus que permite que responda ao processo em liberdade. A lei municipal não fixa tempo de licença, só diz que o prefeito ao ser impedido será sucedido pelo vice. Com a licença aprovada, o vice Peter Calderoni (PMDB) comanda a prefeitura em exercício. Se Ney for derrotado no STF, Peter assume em definitivo.

OUTRO LADO
O governo rebateu notícia sobre fuga de Ney. “Acabei de falar com o advogado do prefeito licenciado Ney Santos, ele está neste momento em São Paulo em reunião com seus advogados, estudando a possibilidade de acompanhar o julgamento em Brasilia juntamente com os advogados que estão atuando no caso”, diz o secretário Jones Donizette (Comunicação) em nota. Em ataque recorrente à imprensa, ele diz que o UOL favorece o PT – a notícia é da Band.com.

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